Deixamos este intervalo para dar o tempo certo de organizar o orçamento, para aqueles que ainda não possuíam...
Mas o que pode haver de complicado nisto? Bem, quem nunca teve complicações financeiras depois de fazer uma compra por impulso ou simplesmente por desejar possuir alguma coisa?
Como estamos no caminho do equilíbrio financeiro, precisamos pensar sempre antes de comprar: "QUERO? PRECISO? POSSO?"
Parece muito simples responder e então decidir... mas não é.
A questão é que o consumo faz parte do nosso cotidiano, através de água, energia, transporte, etc. Mas, há diferentes formas de consumo e isso depende de como agimos.
Basicamente, podemos ser CONSUMIDORES ou CONSUMISTAS.
CONSUMIDORES aproveitam as oportunidades para adquirir aquilo que é necessário à sua sobrevivência e bem estar, considerando seu orçamento, bem como as consequências que seus atos irão causar ao meio ambiente e à sociedade. Então, fazem empréstimos somente quando tem certeza que poderão pagar, compram somente o que realmente vão utilizar, não compram produtos "piratas" e evitam produtos que agridem ao meio ambiente.
CONSUMISTAS são escravos de seus desejos e seguem os impulsos sem pensar na consequência de seus atos. O prazer está na compra, não tanto no produto ou serviço que adquiriu. São reféns de seus impulsos e nunca atingem satisfação plena pois, após uma compra, sua meta será outra.
O ato de comprar muitas vezes não está relacionado simplesmente com a aquisição de bens para o consumo. As compras podem assumir uma ligação com a frustração ou a solidão, prevalecendo nas mulheres por esta função ser tradicionalmente concedida a ela.
Desta forma, o consumo compulsivo pode comprometer desde o equilíbrio emocional até o orçamento familiar, conforme enfatizamos aqui.
Diante da impossibilidade financeira de adquirir um produto, a ansiedade da pessoa pode aumentar. Dificuldades de relacionamento podem ser sinalizadas pela compulsão.
Sendo assim, diante de situações nas quais as pessoas se sentem ansiosas e frágeis, podem tentar preencher a falta de relações mais complexas, adquirindo objetos, já que esses não as rejeitam nem decepcionam.
Qual dos dois tipos você acha que pode ter uma vida financeira saudável e sentir-se livre, sem escravidão?
E em qual dos dois tipos você se vê?
TOMANDO DECISÕES
As decisões são ações que tomamos para resolver uma questão. Se queremos ter equilíbrio em nossas vidas e finanças, devemos tomar decisões de forma consciente, esclarecendo bem qual problema precisamos resolver e qual caminho devemos seguir para alcançar nossos objetivos.
E é no momento da decisão de compra que devemos retornar às perguntas iniciais:
"QUERO? PRECISO? POSSO?"
Muitas vezes as vontades fogem da razão. Então, é preciso determinação para controlar os desejos e ansiedades.
O imediatismo (querer tudo “na hora”) é o maior inimigo de quem quer controlar seu orçamento. E o autocontrole só é conseguido com muita perseverança. É um hábito que deve ser desenvolvido com paciência e muita convicção.
Agir por impulso, fazendo compras para satisfazer o desejo imediato, sem calcular as consequências, pode levar a situações de endividamento, estresse e outros problemas.
Por isso:
- conte até dez antes de comprar;
- adie a compra para o dia seguinte e reflita melhor;
- não caia em armadilhas do tipo “compre agora ou perca essa oportunidade para sempre”.
Você já ouviu falar da frase que serve de base para grupos de Anônimos: "SÓ POR HOJE"? Vivendo cada dia de uma vez, muitas pessoas conseguem ter controle sobre sua doença ou vício.
Da mesma forma deve ser para o consumista, pois esforçando-se para que NESTE DIA não faça compras desnecessárias para suprir o desejo, conseguirá uma vida inteira de liberdade.
Grupos de Consumistas Compulsivos Anônimos já existem em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Para quem enxergou-se assim ou lembra de alguém nesta situação, indique um destes grupos ou um bom psicólogo, de preferência com especialização comportamental.
Compulsão por compras pode ser sim uma doença.
Na próxima, veremos um pouco de Psicologia Econômica e as formas de pagamento quando realizamos uma compra.
E, em breve, um glossário para entendermos um pouco mais as palavras do "economiquês"!
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